Desenvolvendo Projetos e Cidades com uma visão Holística – ensaios por Arq. "Flavio Westmann

“ Longe de um ser limitadamente baseado sobre algum sentimento isolado de percepção como a visão, nossa reação frente a uma edificação deriva de uma resposta global de nosso corpo e da percepção das condições do meio que a edificação proporciona”
James Marston Fitch

O homem atual vem enfrentando uma série de dificuldades resultantes de sua manipulação indevida de seu meio natural. Vivendo a maior parte de seu tempo na cidade e no interior de objetos e abrigos, cujos projetos não respeitam o conjunto de suas percepções sensoriais, acabou tendo que lidar com o aparecimento de novas doenças como a “síndrome da edificação doente”. A predominância do sentido visual induzida , entre outros fatores, pelo grande bombardeio da mídia moderna , a poluição crescente e o alto nível de ruídos e odores acabam por reduzir consideravelmente a sensibilidade dos órgãos sensoriais do ser humano. Aliando a esses fatores o advento da tecnologia , o Arquiteto acabou por priorizar a consciência da forma em contraste com a possibilidade de desenvolver uma síntese holística de desenho abrangendo os diversos sentidos humanos. Meio ambiente e percepção ficaram afastados das questões projetuais.

Outros aspectos, como as mudanças na forma de produção, resultantes da passagem de uma economia local para uma global , têm influenciado consideravelmente as novas formas de urbanização e arranjos materiais, provocando um desarranjo sócio-espacial , fragmentando mais ainda as grandes metrópoles.
A globalização da economia está forçando as cidades a buscarem novas formas de articulações que promovam o diálogo entre as cidades como um todo, entre as áreas interiores da própria cidade e com as comunidades que devem interagir com toda esta dinâmica.

O que está emergindo agora é “uma mudança de paradigma” na sociedade , de mecanicista para um sistema fundamentado na concepção holística da realidade. Talvez, a mais fundamental avaliação da ciência moderna seja a do antigo cientista da Nasa James Lovelock em sua Teoria Gaia, na qual vê a terra inteira como1*“life- sustaining super-system” –, cujo nome procede do Originário Deusa Mãe Grega. A filosofia tradicional Oriental tem paralelos interessantes com o novo holismo no ocidente. James Lovelock

Ocorre atualmente uma grande necessidade de se lidar com questões ligadas às relações micro-macro, general-local e individual-coletivo e a processos que ocorrem e se conectam nas duas esferas simultaneamente .Como nosso paradigma social se transforma gradualmente, assim também o design está mudando . Existe agora uma onda de mudança expandindo gradualmente através do desenho e profissões ligadas às edificações;A Arquitetura Biológica, Arquitetura Ecológica, Bioclimática , Alternativa, Sustentá-vel, Comunitária, emergem como respostas e estão cada vez mais presentes no Design, na Arquitetura e no Urbanismo , mostrando, cada vez mais, que um número crescente de profissionais começam a incorporar um sentimento de responsabilidade frente a estas questões .

Influências como o trabalho de Rudolf  Steiner, em sua “ Arquitetura Antroposófica” com conceitos de harmonia oferecendo mudança , como um desenvolvimento orgânico , inspiram muitas destas correntes atuais.

Frank Loyd Wright chegava a comparar aspectos de integridade do ser humano , com aspectos de integridade do objeto de construção, numa tentativa de exemplificar o conjunto de forças que o projeto devia conciliar, numa clara alusão à busca de aspectos sensoriais.

Alvar Aalto , também, fez várias referências a determinadas características das qualidades dos objetos construídos, que apesar de não terem percepção visual, eram capazes de outras influências , psíquicas, emocionais e sensíveis como se fossem campos ultravioletas do espectro da cor.Arquitetos Nacionais, como Lina Bo Bardi , referenciavam suas obras a conceitos de percepções de ordens psíquicas , emocionais e de contextualização orgânica com o local e a cultura imediata.Vilanova Artigas, ao comentar sobre sua preocupação de como colocar a edificação na paisagem , como sua obra “ senta” no chão e nas “estruturas que cantam”, revelava sua ligação com a questão : “ apropriar-se da natureza, com dignidade e amor, como ela lhe é oferecida”. (Vilanova Artigas)
Arquitetos Internacionais Atuais, como Richard Rogers e Renzo piano, têm fundamentado vários de seus trabalhos Arquitetônicos e Urbanísticos na questão da sustentabilidade, buscando um equilíbrio entre a sociedade, as cidades e a natureza , através de elementos baseados na participação, na educação e na inovação
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Jean-Marie Tjibaou  Cultural Center - Projeto de Renzo Piano Jean-Marie Tjibaou  Cultural Center - Projeto de Renzo PianoJean-Marie Tjibaou  Cultural Center - Projeto de Renzo PianoImagem16
A procura de uma Arquitetura que apela para os sentidos e seja saudável tem origens antigas. Os Gregos construíram uma rede de templos de saúde chamados Esculápio, perto do mar, orientado para o sol e para as brizas frescas dominantes e em harmonia com o terreno natural; eles podiam ser um modelo para hoje.
Incluir necessidades passadas , que hoje mais do que nunca, se mantêm presentes e necessárias, bem como dialogar com as novas necessidades do homem contemporâneo e provocar respostas que englobem caminhos futuros são um grande desafio para a Arquitetura atual.2*“ Quando a união entre o natural e o produzido se completar, nossas construções aprenderão e se adaptarão, curarão a si mesmas e evoluirão.Contudo, este é um poder com o qual ainda não chegamos a sonhar.” (KevinKelly, Out of Control)

A procura por soluções urbanísticas mais sustentáveis não é apenas uma tendência, mas sim, uma necessidade perante os desafios das Cidades Atuais e das questões ambientais do planeta e de qualidade de vida do ser humano.

Segundo Richard Rogers, ” “Planejar uma cidade auto-sustentável exige uma ampla compreensão das relações entre cidadãos, serviços, políticas de transporte e geração de energia, bem como seu impacto total no meio ambiente local e numa esfera geográfica mais ampla.”

Imagens Livro "Cidades para um Pequeno Planeta" - " Richard Rogers"

Aspectos para Cidades Mais sustentáveis - Figuea extraida do Livro " Cidades para Um Pequeno Planeta" de Richard Rogers
AS CIDADES DENSAS, ATRAVÉS DE UM PLANEJAMENTO INTEGRADO, PODEM SR REPENSADAS TENDO EM VISTA UM AUMENTO DE SUA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA, MENOR CONSUMO DE ENERGIA, DE RECURSOS, NÍVEL DE POLUIÇÃO…”   “UMA CIDADE DENSA E SOCIALMENTE COMPACTA, ONDE AS ATIVIDADES ECONÔMICAS E SOCIAIS SE SOBREPONHAM…” – Richard Rogers
Bibliografia
Texto: Arq. Flavio Erwin Westmann
2* extraído do livro CIDADES PARA UM PEQUENO PLANETA de Richard Rogers
1* supra-sistema de sustentação da vida
Texto – Arquiteto Flavio Erwin Westmann – dir.reserv.
Foto – James Lovelock
Fontes de Referências do texto
Deinição de Holística
CREMA, Roberto. Individuação : De Jung ao Holos, Revista Thot: São Paulo : Palas Athena do Brasil , n.52 , 1989
A Influência do Holísmo na Arquitetura – A Arquitetura Holística
AALTO, Alvar. O Racionalismo e o Homem. Alvar Aalto 1898–1976, Finlândia: Catálogo do Museu de Arquitetura da Finlândia, 1983
ROGERS, Richard. Cidades para um pequeno planeta. Barcelona: Gustavo Gili, 2002.
WESTMANN, Flavio Erwin . Arquitetura Holística. 1993. TGI,Mestrado(F.A.U Mackenzie/USP, São Paulo )
WRIGHT, Frank Lloyd. Integrity: in a house as in an individual. The Natural House. Livro Dois ,1954PEARSON, David. Making Sense of Architecture, The Architectural Review, London , n.1136, October.1991

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